te (des)influenciando*
Já reparou que hoje em dia a gente vê muito promessas e dicas de como alcançar a melhor versão nós mesmos? Quase como uma oferta de supermercado, um cupom de desconto ou mesmo como aqueles antigos panfletos de “trago o seu amor de volta”.
Mas a minha reflexão aqui é a seguinte: afinal de contas, existe UMA melhor versão de si? E quando se chega nela, acabou? Fim da linha para o autodesenvolvimento? Quem que coloca qual que é a melhor versão? Quem que cria essa régua? E qual o padrão de medida que ela segue? Essas são só algumas das perguntas que me veem na cabeça e que trouxe aqui apenas para te fazer refletir também.
Existe uma tendência humana que a Psicologia, e principalmente a Psicanálise, coloca em análise que é a busca por algo que é inatingível. E, justamente por isso, por não se alcançar, parece ser um pote de ouro no fim do arco-íris. Ou seja, estamos a todo momento criando nossa versão ideal na nossa cabeça (o pote de ouro) e traçamos um “caminho” para chegar (o fim do arco-íris). Mas essa versão vem sempre pautada no ideal, isto é, naquilo que não é a realidade. E por não ser realidade não é alcançável. Mas ele continua lá te olhando, seduzindo, chamando – o seu ideal.
A melhor versão de si pode ser esse ideal que nada tem a ver com a sua realidade. E que ignora tudo o que você já conquistou aqui na realidade. A melhor versão de si pode ser hoje que você acordou às 05h, foi na academia e foi trabalhar de cabelo lavado. Pode ser em outro dia que você acordou às 07h, foi trabalhar de cabelo sujo e comeu pipoca de janta. Pode ser também quando você acordou mais tarde e pediu delivery. A sua melhor versão é a sua versão de todos os dias.
Isso não quer dizer que não devemos estar buscando sempre nos desenvolver e etc. Mas aqui eu vou repetir: a sua melhor versão é a sua versão de todos os dias, porque é aquela que é possível. E digo mais, todas essas suas versões devem ser olhadas com carinho.
